sexta-feira, novembro 23, 2007

Jovens repórteres para o ambiente no Colégio Valsassina

O projecto jovens repórteres para o ambiente é uma das vertentes em que a Fundação para a Educação Ambiental - FEE - desenvolve a sua actividade. Em Portugal o projecto é, como já vem sendo hábito, dinamizado pela Associação Bandeira Azul da Europa - ABAE.
O Colégio Valsassina aderiu há cinco anos ao projecto Eco-Escolas mas só neste ano lectivo foram reunidas condições de disponibilidade de alunos e professores para aderirmos ao projecto Jovens Repórteres para o Ambiente. Este projecto visa o desenvolvimento de trabalho jornalístico sobre um determinado tema relacionado com o ambiente. A equipa do Colégio Valsassina será composta por alunos dos 9º, 11º e 12º Anos e por professores de Biologia, Inglês e Fisico-Química.
Escolhemos como tema algo que tem sido a tónica do trabalho do EcoValsassina nos últimos anos são as Alterações Climáticas. Neste domínio o Colégio Valsassina assume-se actualmente como escola modelo, pioneira em diversas áreas, implementando projectos únicos no país. É tendo como base o trabalho até agora desenvolvido e os conhecimentos adquiridos que serão elaborados os trabalhos jornalísticos. Esses trabalhos deverão ser divulgados num órgão de comunicação social com o qual o colégio estabelecerá parceria.
Os trabalhos do colégio serão igualmente divulgados ao nível 2 - internacional - o que implica o estabelecimento de parcerias com escolas estrangeiras.Neste âmbito, nos passados dias 19 e 20 de Novembro quatro alunos da equipa - António Lima Grilo, Joana Magalhães da Silva, Marta Magalhães da Silva e Pedro Silva - e o professor coordenador João Gomes representaram a escola no seminário de apresentação do projecto em Leiria. Os principais objectivos do seminário foram a apresentação do projecto e sua metodologia bem como alguma formação relativa às ferramentas de publicação e divulgação do trabalho jornalístico efectuado. No final deste seminário o colégio divulgou a sua actividade com um poster que foi votado (por todos os participantes - alunos e professores), em conjunto com um outro, como o melhor poster presente.
Brevemente iremos começar a trabalhar e daremos notícias regularmente. O site do projecto é www.abae.pt/jra.php . Esperamos, como sempre contar com o apoio de todos os que quiserem participar, por um melhor ambiente.
António Grilo

quinta-feira, novembro 08, 2007

Gestão Voluntária de Carbono no Colégio Valsassina: O caminho para uma “low carbon school”



As alterações climáticas são actualmente, uma das maiores ameaças ambientais, responsáveis por graves impactes económicos, sociais e ambientais, muitos dos quais já irreversíveis.
Na sequência de um conjunto de contactos e pequenos trabalhos conjuntos entre o Colégio Valsassina e a Ecoprogresso no contexto do Carbonfree, no decurso de 2007, considerámos que era a altura de integrar e sistematizar a componente do Carbono associada à nossa actividade, integrando o trabalho já desenvolvido no âmbito dos projectos Eco-Escolas e Carbonforce.

A Ecoprogresso propõe-se assim apoiar a concepção e implementação de um sistema de Gestão Voluntária de Carbono associado às actividades do Colégio Valsassina de forma a integrar as diversas questões ambientais onde o Colégio tem impacto, sobre uma capa que abranja as Alterações Climáticas. Integrando a componente energia e carbono, reduzindo o consumo energético e consequentemente as emissões de Gases com Efeito de Estufa pela implementação de medidas de redução de emissões , o Colégio Valsassina estará no caminho de se constituir como uma "Low Carbon School", ou seja, uma Escola onde as preocupações com o impacte da sua actividade no clima foi integrada na gestão quotidiana, levando à determinação de acções de gestão da actividade que reduzem o seu impacte no clima.

Uma abordagem racional às questões de energia e carbono pode ser vista na chamada Hierarquia do Carbono:

  • Promover o uso racional dos equipamentos e sistemas responsáveis pela emissão directa ou indirecta de GEE; Reduzir na procura;
  • Instalar equipamentos e sistemas energeticamente eficientes e sistemas de controlo que promovam conforto eficiente;
  • Utilizar energia de fontes limpas (renováveis, cogeração, calor residual).

Assim, aplicar esta hierarquia é de certa forma iniciar um plano de redução do consumo de energia e outros recursos e controlo das emissões de carbono, que se repita no tempo, com uma intenção de ser sempre melhor, sensibilizando e educando para as questões energéticas e para a responsabilidade climática da única maneira legítima: através do exemplo – a Gestão Voluntária de Carbono.

A Gestão Voluntária de Carbono compreende três fases fundamentais:

  • Caracterização das fontes e estimativa de emissões de GEE;
  • Elaboração de um programa de redução de emissões de GEE;
  • Comunicação interna e externa dos resultados obtidos e divulgação de informação.

Este projecto que agora se inicia tem como primeiro objectivo caracterizar as fontes de emissões de GEE associadas à actividade do Colégio Valsassina. Na sequência deste diagnóstico será produzido e publicado o primeiro relatório sobre a Pegada Carbónica do Colégio Valsassina.
Este diagnóstico servirá de guia ao trabalho que pretendemos desenvolver no combate às alterações climáticas.


A nossa meta, para 2010, é tornar o Colégio uma “low carbon school”…

Conselho Eco-Escola e Ecoprogresso (www.ecoprogresso.pt)

segunda-feira, novembro 05, 2007

Tecnologia (com)Prometedora

O mundo de hoje em dia permite-nos comunicar com qualquer parte do mundo, saber informações, procurar pessoas, saber notícias, ver imagens, contactar empresas, fechar negócios, efectuar operações financeiras, jogar nos casinos, enviar cartas, saber o estado do tempo, ouvir estações de rádio, fazer compras em todo mundo com um simples clique. Sem sairmos de casa, tudo o que queremos nos vem bater à porta sem que seja necessário deslocarmo-nos. Por trás de todas essas operações está a maravilha da produtividade mas sobretudo a maravilha da tecnologia. É a evolução tecnológica, que se verifica a um ritmo cada vez mais acelerado a cada ano que passa, que nos permite todas estas comodidades. Essa tecnologia, porém, tem custos. Custos financeiros, sobre os quais não me irei debruçar, mas, sobretudo, custos humanos e ambientais. Custos humanos que se traduzem em homens mulheres e crianças (os escravos do século XXI, os escravos da modernidade) que trabalham em condições que desconhecemos. Os Custos ambientais, aqueles que (sem desprimor dos outros), me merecerão maior atenção, são, sobretudo, os que dizem respeito às consequências da eficácia produtiva e de transporte com que hoje nos deparamos.
Para que consigamos ter tudo o que queremos, à distância de um clique, no nosso país, na nossa cidade, na nossa casa, há fábricas (milhares de milhões de fábricas) a operar em todo o mundo com especificidades distintas; há companhias aéreas que deslocam os produtos em todo o mundo e há empresas de transportes que movimentam os produtos das fábricas. Todas estas instituições trabalham com dois objectivos comuns: o primeiro é o de satisfazer as necessidades com que nossos hábitos consumistas os confrontam; o segundo é o de aumentar a concentração de gases com efeito de estufa e de gases poluentes na atmosfera. Esse não é um objectivo – insurgir-se-ão. Não. Não se não tivéssemos conhecimentos. Não se não monitorizássemos o trabalho. Não se não nos tivessem alertado. Não se não houvesse alternativa. Sim, porque tudo o que acabei de dizer é uma realidade. Todos os estudos e pareceres científicos até hoje elaborados estão de acordo num ponto, mas, é certo, em divergência noutro ponto. Estão de acordo quando dizem que as alterações climáticas são um facto e que têm actualmente uma enorme percentagem de causas antropogénicas. Estão em desacordo no respeitante às consequências. Ninguém consegue prever quais os impactos reais das nossas acções. Produzimos tecnologia (com todos os impactos ambientais adjacentes) para produzirmos equipamentos vários que vão ainda ter mais impacto sobre o ambiente.

Somos crianças que brincam inconscientemente.

Segundo dados recolhidos em amostras de gelo, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera terrestre antes da revolução industrial rondava as 280 partes por milhão (ppm). Um século depois, em finais da década de 1950, efectuaram-se medições que permitiram estimar a concentração de dióxido de carbono na atmosfera em cerca de 315 ppm. Uma diferença de 35 ppm em cem anos, o que equivale a um incremento médio anual de 0,35 ppm. As medições realizadas na actualidade revelam que a concentração se situa nas 380 ppm. É uma diferença de 65 ppm em 50 anos o que representa um incremento médio anual de 1,3 ppm. Estes dados (acho eu) fazem-nos reflectir sobre o nosso estilo de vida, os nossos hábitos, as nossas opções, mas sobretudo o nosso futuro.
Há porém umas crianças mais velhas que outras. Umas mais responsáveis que outras. Umas mais conscientes que outras. É por isso que hoje já assistimos a alguma canalização da tecnologia para diminuir o nosso impacto.
Folheio uma revista datada de Agosto de 2006: 8º Edição do Challenge Bibendum – veículos de todo o mundo chegam a Paris movidos pelos mais diversos combustíveis e há até aqueles que sejam capazes de funcionar com vários combustíveis diferentes (Volvo V70 multi-fuel). Folheio outra revista de Outubro de 2006: “O veículo do futuro é eléctrico”. Folheio outra de Janeiro de 2007: a BMW vai produzir 100 unidades de um modelo que funciona a hidrogénio, o Hydrogen 7. Folheio outra revista de Setembro de 2007: ainda a insistência nos híbridos. Mais uma revista de Outubro de 2007: o mesmo tema que tinha sido tratado em Setembro.
De facto são muitos os novos combustíveis alternativos: o biodiesel, o bioetanol, o hidrogénio, entre outros… Porém não deixa de ser triste reparar que há mais um século (altura que em os primeiros automóveis rolavam) já Henry Ford tinha produzido o seu primeiro veículo que funcionava a álcool e Rudolf Diesel alimentava o motor a que deu o seu nome com óleo de amendoim. Não é triste pelo facto em sim. É triste percebermos que estamos um século atrasados e que percebemos muito tarde qual o caminho certo a seguir quando ele já tinha sido iniciado.
Outra questão que também nos deveria envergonhar diz respeito à tecnologia híbrida. Pensarão, provavelmente, que o primeiro veículo a socorrer-se de motores eléctricos associados a motores a gasolina para se movimentar data das últimas décadas, ou, os mais ousados, do último século. Pois bem – estão todos errados. A honra da construção do primeiro veículo que utilizou motores a gasolina auxiliados por motores a electricidade cabe à Porsche e o veículo data de 1893 (!) Foi ainda no século XIX que Ferdinand Porsche criou um motor, incorporado no cubo da roda, que gerava energia eléctrica a qual era utilizada como auxiliar do motor de combustão interna que equipava o “Lohner Porsche”.
Se o trabalho está iniciado, se os estudos estão feitos, se as leis estão escritas e se nada disto serve para que os principais mentores da poluição mundial canalizem a sua tecnologia para uma evolução sustentada então é de facto um objectivo aumentar a concentração de gases prejudiciais ao planeta.
Somos crianças que brincam inconscientemente e que não têm pais para chamar a atenção. Estamos por nossa conta. Até quando…